domingo, 8 de dezembro de 2013

Receita para se dar bem no meio de jovens cristãos moderninhos João Paulo F. Magalhães


1.      Ande com a bíblia, nem que você jamais a leia. Servirá por exemplo para se bater na cabeça de seus colegas mais bagunceiros.
2.      Sorria! Gargalhe até! As pessoas tem de pensar que você é deveras o Iluminado. Vista o ethos do popular.
3.      Reze alto. A ideia é que se imagine que você é perseverante na fé, mesmo que não seja.
4.      Se você fez teologia em algum momento de sua vida, abotoe o colarinho da camisa e ande com o corpo ereto, cabeça inclinada para trás em 15 graus. Use termos rebuscados, em hebraico, grego ou latim de preferência. Todo mundo paga pau.
5.      Se você gosta de um cigarrinho, de uma bebidinha, de um bordelzinho, procure fazer isso bem longe – de sua mãe é claro – porque seus colegas cristãos nem vão ligar.
6.      Beije e abrace todo mundo na igreja, até os mais fedidos – embora isso exija certo esforço. Mas se não der, feche os olhos e finja estar rezando. Funciona viu!
7.      Não esquente com palavrões. São normais.
8.      Nunca, nunca mesmo fale mal de um colega seu na cara. Fale pelas costas. Mas fale muito se o cara merecer. Assim você pode se preservar, evitar certas brigas. Depois, se ele descobrir, minta, não tem problema e ninguém vai saber mesmo.


sábado, 30 de novembro de 2013

OBSESSÃO João Paulo F. Magalhães

Hoje estava assistindo um vídeo de uma entrevista de Mario Sérgio Cortella sobre os efeitos da televisão. Não exatamente o tema televisão me furtou o olhar, mas uma das falas do filósofo: toda obsessão é doentia. Trata-se de uma afirmação interessante para mim, mas que merece ser analisada, explorada, dilacerada e ruminada aos pouquinhos, em vários contextos. Minhas pretensões não circundam a ideia de me comparar ao filósofo, mas pura e simplesmente experimentar sua ideia ao meu modo. Vamos pensar nisso, caro leitor, em três situações: trabalho, arte e família. Vivemos numa sociedade frenética, um verdadeiro garimpo de oportunidades – para o bem ou para o mal – nos mais variados setores. Um individuo nesse contexto tem de estar preparado tal qual o jacarezinho já esta quando sai de seu ovo e caça no seu primeiro dia de vida pós casca. O sujeito tem de se virar, de fazer isso ou aquilo para garantir sua sobrevivência numa esfera de consumo. E o trabalho nessa história? Algumas pessoas entendem que devemos buscar pontos de equilíbrio no que se refere ao envolvimento no trabalho, mas vejo diversos exemplos de pessoas brilhantes que são verdadeiramente obsecadas por seu trabalho, bem como fabulosamente bem-sucedidas. Citar nomes seria um clichê – um subversivo argumento de exemplo – e não é minha intenção. Coloco aqui mesmo é a tal obsessão. Mas muitas vezes essas pessoas abrem mão de coisas elementares; prazeres de convivência e de diversão; suas mais particulares vidas. Seriam esses indivíduos mergulhadores suicidas? O outro ponto de minha trilogia é a arte. Jimi Hendrix, segundo Eric Clapton, tomava café com a guitarra em seu colo, como uma criança a ser acarinhada. Villa-Lobos, segundo Jobin, compunha debruçado no chão da sala em meio a seus netos correndo e barulhando – obra fantástica! Picasso, Pessoa, Ramos, Rosa, Assis... tantos nomes dos mais obsecados pela perfeição em seus fazeres; em sua arte. Seriam eles doentes? E a família? Bom, eu como professor, vejo centenas de crianças das mais variadas estruturas – e antiestruturas – familiares. Pequenas pessoas cujos pais muitas vezes optam por meios dolorosos de educação ou punição. Há os que nem se importam com suas proles, porém os que de fato ligam para os seus, por vezes, demonstram uma vibração de vida capaz de contagiar estádios inteiros. Seriam esses pais seres apaixonados e inconsequentes?  Seriam eles antiexemplos? Como é de minha postura, sempre me projeto nas situações sobre as quais reflito. Hoje, diferentemente de antes, não tenho reservas nisso. Bem, diria que, dentro dessas três partes presentes na vida de um sujeito, eu alterno um comportamento obsessivo sim. Ora um, pra outro, eu vou me atirando rumo ao muro – e ao outro lado do muro. Nesse instante, almejo a família, sob todas as coisas. Sou antiquado nesse ponto; acredito que família demanda essências elementares. O amor: a maior delas. Creio que é preciso perceber que não estamos sozinhos, que não viemos ao mundo para meras paginas em branco no final. E a família é algo que desejo loucamente. Sonho com coisas comuns: passeios no parque e piquenique com esposa e filhos, os primeiros dentes do caçula, abraços de boa noite e de boa vida, crianças nos ombros, beijo na esposa de 25 anos... momentos a serem vividos... Sou um cara de teatros, de centopeias de falas, o terror dos parágrafos de Otton M. Garcia. Sou intenso e calado. Bicudo e sorridente. Olhar confuso e cinza. Perco-me em objetivos por um objetivo maior.  Seria eu um suicida, um doido, um obsecado?...
O que você me diria?

30-11-2013
30-11-2013

segunda-feira, 22 de julho de 2013

quinta-feira, 11 de abril de 2013

ÚLTIMA CRÔNICA João Paulo Feliciano Magalhães


São Papré-ethos.  Acho que nunca a tive em sua plenitude. Seguros de si são psicopatas muitas vezes. Noutras são políticos, advogados... e noutras... professores de matemática... e de gramática. Antes, todavia, é interessante que esclareça os termos escolhidos para esse texto: Última crônica. Crônica porque quero chamá-la assim. Talvez por influência da efemeridade e imortalidade dos textos de Drummond, Ponte Preta, Sabino e Cury. Quem sabe pela pressa em escrever do jornalismo e das ciberrelações atuais. Ou pelos 3h15 das canções bregassantânicas atuais... quem sabe?! Última porque é última mesmo. A palavra se resume a si em sua simples semântica. Eu nunca dato meus textos. Talvez o ano, mas, normalmente, pelo que aprendi estudando linguística é que o próprio léxico de quem lê misturado ao discurso misto é o que data o texto. Mas hoje me deu vontade. Sim, porque é o último. O último dos textos. O derradeiro de uma epopeia desde 2008, um pouco sombria talvez, muito sonhadora e cheia de pathos certamente. Cansei. Cansei dessa fase. Preciso de um pouco de canudos novos em sucos genuínos... de quadros de loucos das praias... de toques de gaita de fole em plena Mata Atlântica... O fato é que não vou mais escrever no Ciberneticismo. Já se tornou um antiblog há tempos. Mas a proposta era essa mais ou menos. O que me incomoda hoje em escrever para cá é o fato do apego. Cada texto publicado aqui e assinado por mim não é mais meu. É de quem quiser usar... sem medo de ser feliz e infeliz. Estão aí... cabeças em bandejas, demônios, fadas de rastros de luzes, beijos e amores, cada coisa importante que vivi de 2008 para cá. Cada uma delas, de algum modo se pendurou entre letras e lentos pensamentos felicianescos. Mas precisa acabar. Entretanto, como num copo d’água mental de um esquizofrênico, sumario e paradoxalmente, a gota transbordadora foi uma palavra: RELAPSO. Num contexto cheio de óleo combustível, ouvi isso se referindo a mim, ou a ao menos um de meus ethos. Cada fone dessa palavra reverberou por um instante em minha mente e me deu uma dor incrível, aquela que meu amigo João Rosa disse certa vez ser uma estranha dor. Eu sou relapso? Sim sou. Sou com um monte de coisas. Sou tão assim que essas coisas gritam para mim de tão afastadas e ao mesmo tempo tão perto. Minha profissão, por exemplo, que é a de professor, faz com que nos tornemos relapsos velados ou declarados. Homens e mulheres, bem mais mulheres, bebem seus cafés, chamam alunos de lixo, fumam seus cigarros e fecham os olhos para tudo. Eu sofro de um mal, sabe: o da heteroxidade educacional, mais precisamente, o pato feio no ninho de galinhas. Sempre fui assim em várias situações. Logo não seria tão diferente com a educação. Para que presto na educação? No fundo somos mais um recebedor de holerite, agora on line. Mas o dia 12 de abril, agora 1h50, é um dia de ser menos relapso. Por isso, vou iniciar pelo fim: fim do Ciberneticismo, coisa que leram alguns, poucos manifestaram esboços de compreensão e ninguém comprou seu ingresso de alimentador dessa coisa toda. Minha intenção aqui não era deixar uma grande obra feito Pe. Marcelo Rossi, financiado pela Globo, com seus Best Sellers. Eu só quis escrever. Só isso. Apenas queria ver o que pensava em parágrafos e discursos. Apenas isso. O apenas agora 1h55 é um pouco prolixo... e demais relapso... demais... Fica um abraço a todos... obrigado.
ulo, 12 de abril de 2013, 1h15. Horário dos mais esquisitos à maioria de quem vive nessa cidade, mas um habitat dos que gostam de escrever. Pois bem, no ambiente adequado, diante de algumas reflexões, tenho um pouco mais de segurança em decidir algumas coisinhas. Segurança? Acho que esse é o comportamento mais solicitado pelos fiadores de meu